jangadeiro

um barquinho bem simples, uma casca de noz.
barco de pescador solitário.
o mar convida, o vento chama.
o barquinho no mar. o jangadeiro dentro dele.
os dois sem direção no mar aberto.
rema só um pouco. depois pára e deixa a onda levar.
várias correntezas brigam, cada uma querendo puxá-lo para o seu canto.
e ele se deixa levar, para lá e para cá, sem saber onde a brincadeira vai dar,
achando lindo cada um dos caminhos que se lhe abrem.
e então as correntezas páram de brigar, cansadas,
largando o barquinho parado, sem nem uma marolinha no mar profundo.
o jangadeiro olha em redor e não vê nem um resto da terra de onde zarpou,
nem perspectiva de uma terra onde chegar.
por onde olha é só mar.
o barquinho navega no mais profundo silêncio.
aquele silêncio que faz parecer que não existe mais nada no mundo:
nem pessoa, nem lugar, nem tempo.
onde olha, não há lugar para onde ir.
nem direção a seguir.
só horizonte. trezentos e sessenta graus de horizonte,
como se uma nova terra o esperasse em qualquer porto que escolhesse,
e tudo o que ele tivésse a fazer fosse escolher sua direção.
o horizonte para onde navegar.
e então remar, sem deixar correnteza nenhuma o atrasar.
como se, remando novamente, o vento resolvesse se fazer novo,
engravidando as velas do barquinho e o levando depressa pro seu destino.
1 Comments:
que saudades dessas ilustrações
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