05/12/06

descobrimento

Acontece quando você menos espera.
Você nunca parou para pensar no que vai dar essa história.
Está deixando rolar, ver no que dá.
Um dia você está enxugando a louça que ele lavou.
Ou discutindo sobre a marca da margarina no supermercado.
E diz um eu te amo involuntário, totalmente impensado.
E na hora em que você diz é que toma consciência de que é aquilo mesmo, de que ama.
E isso muda tudo.

28/09/06

da boca pra fora


tem o eu te amo da boca prá fora
você o repete como um papagaio chato
a qualquer hora, para qualquer ocasião
sem observar nenhuma regra de etiqueta e de uso
fala tanto que vira interjeição, um adendo, quase um tique
perde o significado, fica só o hábito
fica-se tão acostumado que nem se nota que ele está lá,
falado e refalado
mas, se de repente ele some, sente-se sua falta imediatamente
redemoinhos violentam calmas águas e clamam por sua volta
como uma criança chora a falta de um ursinho velho e caolho.

08/09/06

brown eyed guy


o tempo não pode curar tudo

o mundo, por exemplo, gira bem devagar
mas gira
e porque o mundo é redondo - ou quase redondo
ele pode girar tanto que acaba chegando ao mesmo ponto de onde partiu

e por mais tempo que leve a chegar a este ponto
ele chega
e pode fazer com que as mesmas pessoas também lá cheguem

o mesmo lugar, as mesmas pessoas, o mesmo mundo,
mas pessoas tão diferentes
vidas tão mudadas
mundos tão remexidos

porque só o que o tempo pode curar é a si mesmo

29/08/06

Lifesaver

Lifesaver
Standing alone at the seaside
Strong as a rock
Steady as the waves
Reliable as the moon tides

Children of the Sunday picnics rush past by you
Damsels of the freezing afternoons avoid your gaze
Fisherman on the dock nod as they clean up their nets

Once in a lifetime there was a life for you to save
Tiny arms loosing strength in the middle of the cold ocean
You were there as always
As commons as the seagulls

Is there anyone who might turn on the lighthouse in your damp path
Save you from the dry land?

20/08/06

jangadeiro


um barquinho bem simples, uma casca de noz.
barco de pescador solitário.
o mar convida, o vento chama.

o barquinho no mar. o jangadeiro dentro dele.
os dois sem direção no mar aberto.

rema só um pouco. depois pára e deixa a onda levar.
várias correntezas brigam, cada uma querendo puxá-lo para o seu canto.
e ele se deixa levar, para lá e para cá, sem saber onde a brincadeira vai dar,
achando lindo cada um dos caminhos que se lhe abrem.

e então as correntezas páram de brigar, cansadas,
largando o barquinho parado, sem nem uma marolinha no mar profundo.

o jangadeiro olha em redor e não vê nem um resto da terra de onde zarpou,
nem perspectiva de uma terra onde chegar.
por onde olha é só mar.

o barquinho navega no mais profundo silêncio.
aquele silêncio que faz parecer que não existe mais nada no mundo:
nem pessoa, nem lugar, nem tempo.

onde olha, não há lugar para onde ir.
nem direção a seguir.
só horizonte. trezentos e sessenta graus de horizonte,
como se uma nova terra o esperasse em qualquer porto que escolhesse,
e tudo o que ele tivésse a fazer fosse escolher sua direção.
o horizonte para onde navegar.
e então remar, sem deixar correnteza nenhuma o atrasar.
como se, remando novamente, o vento resolvesse se fazer novo,
engravidando as velas do barquinho e o levando depressa pro seu destino.

12/08/06

vazio


cabeça cheia, blog vazio

LINK para encher cabeça

tears


and the girl cried, and cried, and cried.
she cried so much
that her salted tears turned into a vast, revolted ocean.
whenever she calms down, her sea of tears will calm down too.
but when she starts crying once again, the ocean will get very angry,
with terrifying splashes of water beating up at the stones,
sinking the ships ashore
and waking up the fisherman,
so that they will remember her sad story once more.

02/08/06

oco

o rio não chora, corre
a árvore não vive, vegeta
a pedra não agride, permanece
o ser humano não transcende, vai levando
o homem não se emociona, reage
a mulher não ama, esquece